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"O que é arte?" "Qual a finalidade da minha pintura?" Um certo dia pensei sobre tudo isto, e desde então, já se passaram mais de vinte anos.
Foi bom ter pensado, pois o lavrador tornou-se pintor e minha vida mudou. |
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O fruto vermelho do café, as folhas verdes, o céu azul do interior ainda hoje são retratados sobre a tela, e o sonho daquele jovem coberto de suor e poeira que cultivou a terra roxa ainda é o mesmo de hoje aos sessenta anos, cuja alma produtiva e batalhadora pinta e apaga, raspa e torna a desenhar.
Meu sonho é infinito e viajo pelo mundo da beleza.
Aprender a manejar o belo e explorar a arte, significam travar uma constante luta comigo mesmo.
O sofrimento e a alegria de produzir. |
O que será que me faz ficar assim tão absorto?
O belo surge diante de mim cada vez maior e mais amplo.
Que porção dele ser-me-á possível apoderar até que esta vida se queime por completo?
Aos sete anos de idade desenhei um guarda-chuva. Aos dez uma paisagem de outono.
Aos vinte e dois anos comecei a pintar a óleo sobre tela, frutas e paisagens da colônia e, em 1953 passei a me preocupar com as cores e formas.
Em 1958 explodiram as obras abstratas e as telas passaram a pulsar o sangue rubro de esperança e excitamento. | |
Tendo nascido no século XX, participo de alegrias e tristezas, de guerra e de paz, dos desequilíbrios sócio-econômicos, ou de todos os acontecimentos do mundo como parte dele que sou.
Como filho, fui abençoado pelo amor paterno e materno, coisa insuperável por qualquer bem material. Como pai, tive alegrias e momentos de triteza. Postado na eterna corrente histórica entre o céu e a terra deste imenso universo, esta pequena vida sonha alto em busca de um mundo ideal, e vive intensamente cada dia de sua vida.
Manabu Mabe - 1985 |
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